Por que a engenharia no Brasil é assim?

A origem de tudo…

Muitas vezes eu me pergunto o porquê da engenharia no Brasil não dar tão certo se afirmam que a engenharia aquece com o desenvolvimento e dizem por aí que em pouco tempo seremos a terceira maior economia do mundo. Então, conversando com professores, colegas de trabalho, profissionais e lendo notícias cheguei ao entendimento que vou expor no texto. Como disse, sou da área de engenharia, não sou sociólogo, posso estar errado, mas quero compartilhar como entendi isso. O que acho que evoluiu bastante desde que eu comecei a me fazer esta pergunta.

Não é preciso mais de uma frase para concordamos com a seguinte afirmação: No Brasil, a política precede à razão.
E nós, infelizmente, escolhemos a segunda prioridade dessa frase. Portanto, será muito natural se ao longo da colheita de nossos frutos da engenharia, nos sentirmos frustrados por termos feito a escolha errada. Vamos entender melhor isso tudo…

Quando escrevi o primeiro texto – Entendendo a falácia da  falta de engenheiros no mercado – já esperava que alguns colegas da engenharia civil me desmentissem e contassem que na verdade, a engenharia está bombando. A engenharia civil, como diz um amigo da área, foi a mãe das engenharias. Na verdade, inicialmente existiam dois ramos somente: a engenharia militar, para aplicações bélicas naturalmente, e para outras aplicações, a engenharia civil. Dentro desta se englobavam todas as áreas não militares. Com o passar do tempo a civil foi se ramificando tanto que foi necessário especificar outros termos mais específicos como mecânica, elétrica e etc. A engenharia de construção, por ter sido a mãe de todas as outras, herdou sua denominação primordial. Assim, hoje temos o termo engenharia civil como sinônimo de construção. Portanto, tenho o maior respeito e consideração pela área, e até pretendo cursá-la no futuro por admiração. E assim, peço aos meus futuros colegas de curso que entendam a afirmação/constatação que farei a seguir, sem preconceito: A engenharia civil, no Brasil atual, não depende de desenvolvimento de tecnologia.

Isso influencia e muito no porquê desta ser a única engenharia que dá certo nos nossos solos. A nossa engenharia civil não sofre concorrência porque nossos governantes não a permitem. Existem dois motivos para o sucesso dessa engenharia aqui: O primeiro já foi falado, a falta de tecnologia. O segundo motivo, é o fato da sua forma de execução e isso, também decorre da falta de desenvolvimento tecnológico.

Fica uma ressalva para a área de petróleo e gás, pois é uma herança de um investimento antigo de Vargas.  Ou seja, não é preciso investir durante o período sem retorno, pois hoje a Petrobras já dá lucro. Assim, ela pode investir em pesquisa visando aumentar os rendimentos. Sem contar o fato de ser capital misto, o que não permite interferência direta da baixa política. Pelo menos é o que se tem tentando fazer lá dentro, apesar de algumas matérias recentes acusando a interferência partidária  nos rumos da companhia. ¹

A engenharia quaternária

A engenharia da computação, por exemplo, se quiser fazer diferença no mercado precisará desenvolver chips novos, ou inovar em tecnologia dos semicondutores, talvez até comece pesquisas em computação quântica. Quanto tempo isso dura? Coloque aí uns 10 anos para ter a primeira patente gerando lucro. Mais 5 desenvolvendo o produto, para depois criar as empresas de venda de tais produtos. Enfim, 15 anos para começar a ser rentável. Lembra sobre a política e a razão? Pois é… um político eleito, nunca poderá inaugurar a fábrica de superprocessadores nacionais a tempo de se reeleger. Quinze anos é muita coisa, além do investimento em educação e qualificação ser necessário e nem precisar tanto de investimento pesado inicial, o que também não agrada nossos representantes do povo.

A função da engenharia é criar soluções praticáveis baseadas no conhecimentos das ciências, aplicá-las, é consequência. Não que não seja importante aplicá-las, senão seria pesquisa pura, teórica; mas a função principal da engenharia é solucionar coisas que até o momento não tinham respostas. O físico estuda toda a natureza, entende as leis de Newton, entende a relação entre polias e etc. Sendo que ele usou das equações que são estudadas pelos matemáticos. O engenheiro, estuda um pouco de física, um pouco de matemática, estuda como montar engrenagens, qual motor usar e então resolve os problemas da sociedade. Seja otimizando a produção de petróleo ou garantindo a qualidade das bebidas em uma cervejaria.

A base de qualquer tecnologia é a inovação, é a corrida. Tanto é, que os maiores desenvolvimentos científicos ocorrem durante as corridas espaciais, as guerras, quando a tecnologia significa a diferença entre a vida e a morte.

No Brasil, a engenharia tem 4 características interessantíssimas para um candidato, veja bem… No tempo de mandato de um governador, por exemplo, 4 anos, a engenharia civil não ficará obsoleta pela tecnologia. Portanto, é só aplicar o que já se conhece, não precisa investimento de longo prazo. Qualquer obra pode ser realizada em 4 anos. Pelo menos é o como acontece no Brasil, vez ou outra um buraco de metrô ou prédio desaba, mas no geral 4 anos é suficiente para inaugurar, pelo menos é o que vemos nos jornais. Ainda tem outro fator, segundo a ISO 9001, o desvio de verba pública não pode ultrapassar 50% do investimento. Como qualquer retoque em um estádio custa cifras de bilhões de reais, a taxa de retorno imediato do “investimento” para um político mal-intencionado é muito mais atrativo que descobrir a cura com células tronco. A pesquisa de ponta em tecnologia precisa de um capital inicial baixo para só no meio investir pesado. Nada que seja possível fazer em 4 anos. E no final, o resultado é bastante evidente quando se tem uma nova ponte e algumas fotos já mostram as realizações feitas. Assim, olha bem o que a engenharia civil pode oferecer ao mau político: alto desvio de dinheiro, curto prazo, baixo risco, impacto visual e ainda uma reeleição. Ou você acha que o que faz os maus candidatos mendigarem seus votos são os salários que recebem? Por que temos tantos empresários se candidatando para receberem menos que um gerente de suas próprias empresas? Porque o desvio com um obra pública rende 10 vezes mais o que ele ganha em 1 ano com a empresa. Os altos salários que eles tem é apenas porque eles se sentiram na obrigação de roubar um pouco mais já que a população insistia em não fazer nada mesmo… as pessoas iriam até falar que eles não trabalham se não criassem essas leis aumento os próprios salários. Mas vamos parar de falar de política porque esse não foi o propósito do texto. Porém, foi necessário explicar este ponto: o interessante para um corrupto é desviar a imensidão de dinheiro arrecadada. Mas como se arrecada mesmo? Ahh claro… impostos.

Quanto mais imposto…. mais desvio. Sempre seguindo a ISO 9001!

Nos comentários do texto anterior, citaram algo que eu esqueci de abordar: O custo de manter uma empresa no país. Temos algumas curiosidades aqui, como por exemplo: a empresa deve pagar o INSS, para o funcionário ter direito ao atendimento médico, mas precisa pagar um plano de saúde também, para o funcionário ter atendimento médico. O empresário, possui um carro, e portanto, paga o IPVA para ser usado para manutenção das vias, mas também tem que pagar o vale-transporte do funcionário, porque a passagem é cara, pois o funcionário paga a barca porque não pode usar a ponte engarrafada e tem que chegar cedo. A empresa paga a previdência social, mas também contribui com uma porcentagem para pagar a previdência, mas privada. A empresa paga imposto para a polícia defender seus bens, mas precisa pagar uma empresa de segurança para defender, os seus bens.

No Brasil, se gasta 4 meses do ano para resolver toda a papelada de recolhimento de imposto. Nos outros países, a média é de uma semana. No Brasil, a energia elétrica custa o dobro do valor de outros países. No Brasil, todo o transporte, de pessoas e carga, é realizado por rodovias. Em todo mundo não se usa essa alternativa porque sabe-se que é mais cara. Pelas rodovias se gasta muito com 2 itens: a primeira é a manutenção automotiva, e a segunda, curiosamente estimula a primeira, a manutenção das rodovias. Elas custam caro porque são obras, mas lembre que as licitações suspeitas resultam na engenharia civi… ahh deixa para lá. ³

Portanto, o gasto duplicado dos serviços básicos – imposto e uso de uma empresa privada – é outro fato que dificulta que aquele motor usado na indústria, seja desenvolvido aqui em solo nacional, por engenheiros mecânicos, elétricos e químicos brasileiros. Por um preço mais barato e bem mais adaptado às nossas necessidades.

Fazer aqui demora mais que trazer de lá…

Para construir uma fábrica aqui o primeiro item é infra-estrutura e aqui que o brasil peca e muito. Nossa energia é cara, nossa logística é sofrível pois é baseada em rodovias, os impostos e os custos secundários com a mão-de-obra( transporte, alimentação e etc…) são caríssimos pela própria realidade de preços surreais do país e por final, a política não é lá muito estratégica e bem estruturada. Não é incomum a prevalência de apadrinhamentos políticos em vez de redução de custos ou inteligência estratégica quando as iniciativas tem qualquer distante relação com a mão do governo. Sem contar por toda burocracia de prestação de contas das empresas, atrasos no trâmite de documentos e etc. Outro ponto que também conta é a vantagem da aglomeração industrial, ou desvantagem, se pensarmos dentro daqui. Se não há uma boa indústria de parafusos porque preferiram construir mais uma rodovia, como vou instalar uma fábrica de motores? E sem motores, como farei automóveis? Por isso temos montadoras de automóveis e não fábricas. Para fechar com chave de ouro, importação aqui é taxado em quase 60% de imposto, mesmo em produtos sem equivalência nacional. Sendo assim, e ainda lembrando que não é possível fundar empresas e gerar lucro em 4 anos e ainda que o imposto é pago à vista, fica fácil perceber porque importar é a melhor opção e a mais famosa escolha tomada. Assim, paga-se imposto para forçar a empresa a se nacionalizar, mas impede-se sua nacionalização por todas as outras frentes de atuação. No final, nós pagamos 5 vezes o valor pelos produtos sem nenhuma perspectiva de mudar isso.

Por que nãos somos todos engenheiros civis então?

O Banco Mundial foi criado para ajudar os países a se recuperarem após a Segunda Guerra. Ao longo do tempo ele se converteu em um banco para financiamento de projetos de desenvolvimento em países mais pobres. Esta instituição tem suas regras para emprestar esse dinheiro, avaliando se o país que recebe esse financiamento será capaz de honrar com suas dívidas. Nada muito diferente que mostrar seu contra-cheque quando se quer financiar um carro. Pois bem, o Brasil pegou dinheiro emprestado com o Banco Mundial e portanto, tem metas a cumprir. Inclusive para poder pegar mais dinheiro.

O Banco Mundial e a UNESCO( Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) fazem parte da ONU. Por outro lado, a UNESCO trabalha em parceira com a OCDE( Organização para Cooperação Desenvolvimento Econômico). Vale chamar a atenção que não estou visualizando e nem pretendendo criar nenhuma teoria da conspiração aqui. Só estou me baseando no fato da cadeia de interesses que movem o mundo e vendo uma linha de interesses coerente e que justifica a situação atual do mercado. O secretário de transportes nem faz ideia do que é UNESCO. Mas vai fazer as estradas quando souber que tem mais engenheiros civis no mercado. O ministro da educação nem sabe quem é esse secretário, mas facilitou a vida dele abrindo vagas na engenharia porque acatou à exigência do presidente, que foi aconselhado pelo ministro das relações exteriores. Que por sua vez analisou a ideia com o ministro da fazenda que queria mais dinheiro. No final da história o mercado fica bom para este ramo da engenharia. Enfim… é uma cadeia grande e complexa, mas que possibilita um país ir para frente, não conseguir sair do lugar e até ir para trás.

A OCDE é uma reunião de 34 países, sendo que 31 deles são desenvolvidos e produzem juntos mais que 50% da riqueza do mundo. A ideia é basicamente a seguinte: Sendo eles desenvolvidos, eles se reúnem e aconselham os sub-desenvolvidos a escolherem as políticas corretas para se desenvolverem. Eles fazem relatórios sobre estes países, análises, dão conselhos e etc. Aqui no Brasil, esses dados relativos à formação de engenheiros, para análise, são fornecidos pelo INEP( Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais). De fato, é necessário que os países tenham como gerar riquezas para pagarem a dívida contraída.  A ideia é bem legal, independente da onipresente dúvida se eles realmente querem dividir esses 50% da produção de riqueza mundial com todos os homo sapiens vivos, ou se querem ensinar apenas o mínimo necessário, ou ainda se é interessante uma dívida eterna que possa ser usada para dissuasão econômica, que sempre vai ser questionada por alguém. Mas sempre vai ter cético, sempre vai ter crente, vamos continuar no foco da engenharia. O que quero chamar a atenção é a um trecho de um documento da OCDE:

“The imperative for countries is to raise higher-level employment skills, to sustain a globally competitive research base and to improve knowledge dissemination to the benefit of society” (OCDE, 2008a, p. 4).

Em livre tradução:

O necessário aos países é aumentar a qualificação profissional de nível superior, para sustentar uma base de pesquisa globalmente competitiva e melhorar a disseminação do conhecimento em benefício da sociedade

E qualificação profissional de nível superior significa tecnologia, que diferente daqui do nosso país, lá fora está muito presente na engenharia civil também. Por exemplo, cada vez mais se usa estruturas prontas em vez colocar tijolo por tijolo, com cimento e areia. Prédios que aqui se levanta em 1 ano e meio, lá fora ficam prontos em 1 mês. Mas além da civil, existem outras engenharias importantíssimas como indicativos de alta qualificação tecnológica, não por acaso são a computação, eletrônica, química, automação, nanotecnologia, nuclear, biotecnologia e etc. Portanto, a OCDE sabe que um país  só com engenheiros civis não é indicativo de evolução tecnológica.

Ou seja, o governo está fazendo sua parte. Se eles querem número de profissionais qualificados para nos dar empréstimos, nossos políticos estão gerando esses números. Pouco importa se estes profissionais estarão empregados ou não. Nossas digníssimas excelências estão lotando os cursos de engenharia, arrecadando mais dinheiro, mas mantendo o mesmo custo( número de professores e infra-estrutura). Vez ou outra pinta uma greve nas universidades federais, mas é detalhe. Professores em salas superlotadas estão reclamando de barriga cheia, é claro. Assim, a oferta nas universidades- e o marketing midiático para preencherem essas vagas –  não segue a lógica  de necessidade do mercado. Ela segue outra prioridade, que não é a razão; imagino que a essa altura do campeonato você já deve saber qual é. Se não, volta lá no início do texto. De qualquer forma…

“O Brasil precisa de engenheiros.. em todas as áreas! Engenharia química, de produção, elétrica, mecânica, automação, têxtil, de alimentos, metalúrgica e etc… Vagas a partir de R$ 18.000,00!”

Luciano Netto de Lima

Fontes:

  • 2. Por que tudo custa tão caro no Brasil? – Super Interessante, Edição Abril/2013

              Por Alexandre Versignassi e Felipe van Deursen

  • 3. Panorama da educação brasileira: aspectos para a efetivação do direito à educação para todos.

              www.revistas.ufg.br/index.php/ritref/article/download/20367/11857

             Infelizmente o relatório completo só está disponível em alemão ou por outros meios indiretos. Tanto a parte citada quanto o relatório completo estão no site abaixo:

             Site com a citação: http://www.oecd.org/edu/skills-beyond-school/tertiaryeducationfortheknowledgesocietyvolume1specialfeaturesgovernancefundingquality-volume2specialfeaturesequityinnovationlabourmarketinternationalisation.htm#3

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17 Responses to Por que a engenharia no Brasil é assim?

  1. Luciano, é revoltante sabermos que estamos sendo manipulados dessa forma mas é a pura realidade. Já estou no aguardo do teu próximo texto.

  2. Fabio Andrade says:

    Muito bom!

  3. jose brasileiro says:

    a verdade é como remédio , é amargo mas necessário… temos que reaprender a pensar e ter consistência ou seremos para sempre um pais de terceiro mundo ops … pais em desenvolvimento. otimo seu texto vou divulgar…

  4. Thiago says:

    Sei que o Governo não investe diretamente na capacitação dos profissionais, muito menos em motivá-los a capacitarem-se como deveriam. Mas os financiamentos de projetos e descobertas ofertadas pelo Governo Brasileiro não seria uma porta apertada n a tentativa de iniciar mudanças?? As vezes sinto que somos muito desunidos… Fomos criados em berços cujo princípio muitas vezes foi: “Vejamos o que o Governo vai fazer por nós”. É óbvio que existe corrupção e que no Brasil um empresário sofre muito mais, mas cadê os movimentos para dar solução na Engenharia de nosso país??

    Você mesmo que esta lendo… Está esperando o MEC acrescentar em sua grade de disciplinas o curso “O poder da união”??? Não podiamos começar em nossa cidade reunindo os Engenheiros e investidores interessados? Sou de Salvador-BA, sugiro iniciarmos ainda esse ano reuniões online afim de estabelecermos pautas em comum acordo, priorizando o que entendemos ser necessário, já que somos o sangue do país! Depois nos reuniríamos em região, até que todos “Leia-se Governo” descubra e se indigne até ouvirmos os gritos no Itamaraty:” Marco Raupp vem aqui! Aqueles Engenheiros interesseiros descobriram que podem fazer do que equações diferenciais.!”

  5. augusto says:

    Vai parecer uma opinião direitista, mas penso que é perda de tempo obrigar alguém a trabalhar com braço curto. Não ignoro essa industria de criar estatais, usando recursos publicos, vende-las e passar a cobrar impostos das mesmas. Por isso penso que a sociedade deveria cobrar por exemplo redução dos impostos, pra pelo menos podermos consertar nós mesmos a rua esburacada da nossa vizinhança. Nessa lógica de apenas uma reeleição, penso que o setor privado tem um ciclo mais longo. Não digo os ceos, que hoje em dia não duram mais que dois anos na mesma empresa (ou a ultima geração foi extinta repentinamente), mas os seus clientes (não o consumidor), os seus verdadeiros clientes, os acionistas. Um investidor saca a sua aplicação após um quinquenio, decenio ou mais. O problema é que a sociedade ainda não aprendeu a despertar o interesse desse público

  6. Gilberto dos Santos Júnior says:

    Parabéns pelo texto Luciano! Realmente muito bom! Já algum tempo tinha em mente estas ideias e percebia algo de errado com a carreira de Engenharia Elétrica, na qual sou formado e não exerço o cargo na empresa em que trabalho.

  7. Bianca Medeiros says:

    Um engenheiro em nanotecnologia no mercado de trabalho hoje, como os outros também ganharia essa vaga de R$18.000??

  8. Carlos Perez says:

    Procure por “CFD” (Computer Fluid Dynamics) como palavra-chave para buscar emprego no Linkedin. Neste momento, apareceram:
    – 163 vagas nos USA
    – 32 vagas na França
    – 28 vagas no Reino-Unido
    – 24 vagas na ÌNDIA
    – 0 vagas no Brasil

    Não é nem preciso dizer como é desmotivante trabalhar neste país, onde o conhecimento e o domínio técnico (a não ser que você tenha 75 anos de experiência comprovada) não importam para o todo poderoso RH, basta ter espírito de liderança, ser pró-ativo e todo aquele blá-blá-blá que, na hora da dinâmica de grupo, todo mundo tem que fingir ser. A realidade é que a maioria da nossa classe vai viver preenchendo papelada, sorrindo para os outros e dando tapinhas nas costas do patrão para poder ganhar o mísero salário do fim do mês. Ou seja, não produzindo merda nenhuma de tecnologia que poderia vir a engrandecer a nação.
    Estão investindo na formação de jovens no estrangeiro, mas não há condições nenhuma de aproveitá-los após o retorno. Centros de pesquisa, aonde? R&D cadê?
    Bom, deixa eu voltar a cadastrar produtos aqui no SAP.
    Um abraço a todos.

  9. Pingback: Por que a engenharia no Brasil é assim? - Hélio Andrade

  10. Paulo says:

    Numa rede social tem sido comentado o menosprezo aos engenheiros. Assim, venho aqui transcrever o que relatei aos membros do grupo que é um grupo seletivo, porém lá tem uns descabeçados, que em suma são a grande maioria dos brasileiros que adoram os estrangeiros, por isto nós da terra estamos perdendo para os estrangeiros, por que devido que os que se aproveitam das falhas dos CREA´s, estão ainda esbulhando engenheiros, segue minha defesa, e aqui apresento, para que saibam que os CREA´s deveriam ter um tipo de triagem para a empresa que vai ser registrada, e não ir apenas via documental, deveriam ter um certo tratamento psicológico em como a empresa deve tratar o engenheiro e vice-versa, ver na prática, e não dos funcionários dos CREA´s ficarem atras do balcão, deveriam ter um corpo técnico com psicólogos a intermediarem a empresa e não regulamentar a profissão do engenheiro, isto já tá muito é caótico, e sim regulamentar as empresas, como tratam os engenheiros, e pararem de policiar os engenheiros, isto já tá mais que latente, que todos os engenheiros trabalham corretamente, veja ai o texto: ……”Para as devidas orientações de como se devem registrar empresas no CREA, ofereço em forma de consulta devido que aqui foi notado que existem por parte da grande maioria apatia por engenheiros, se nós estudamos por cinco longo anos, é de nosso merecimento o ganho de remuneração, se o CREA tem por resolução valores devidos aos engenheiros, é por que é relativo ao valor de honorários, até existe uma equação para se efetuar o cálculo.

    Não é correto de que afirmam que estão no mercado faz anos, e não aceitam de engenheiros o controle da empresa, se tu aceita os termos contratuais de contratação de um engenheiro para controlar tua empresa, meu caro, voce passa a ser o majoritário, e ele o minoritário no controle técnico, não na sociedade, por que ele tem a primazia de qualificar tua empresa, quando houveram por parte da maioria das empresas no Brasil terem crescidos sem qualificação, e cometeram uma série de erros de qualidade colocando produtos, serviços no mercado de forma escusas, principalmente daqueles que recebiam adiantando e depois não cumpriam o serviço, ou venda do produto, perante os que não sabiam trabalhar corretamente, e foram desonestos com o público, que bom que surgiu o CREA para controlar a vida das pessoas, e tirar do mercado aqueles que se aproveitavam dos leigos e ganhavam de forma ilicitas.

    Assim, como ingressar no CREA corretamente, me consultem, cobro um valor enfim sou um profissional especializado técnico em documentação pelo CREA, não acho justo fornecer mais nada gratuito aqui neste portal, por que os malandros se aproveitam e nem agradecem, me desculpe, mas existe exceções de membros que são honestos, já tive trabalhos aqui e foi muito bom para ambos os lados, dentro dos conformes e dentro da lei, sem desonestidade.

    Quem necessitar de como saber ingressar no CREA, tenho a receita de bolo, cobro por isto enfim estudei cinco anos para que, e quem não estudou e reclama contra o mundo, que entre numa universidade e estude cinco anos, depois venha aqui dizer verdades e não reclamarem que os engenheiros são pessoas mal vistas, e isto parte sempre de pessoas que não se dão ao respeito.

    Saiba se respeitar primeiro, para ser respeitado, não é atacando os engenheiros, que se obtém algum tipo de vitória, quem ofende engenheiros, se for honesto, simples, humilde se desculpe aqui e seja alguém de caracter nobre e não se esconder atrás da saia da mamãe.

    Consultas via e-mail: paxpul@gmail.com dados via telefones e nome corretos, sómente após ser constatado que se trata de pessoa idônea, ai passo os meus dados pessoais para finalizar trabalhos, ou serviços, etc.

    Isto vem por que estou farto de ler aberrações, por parte de pessoas que se acham e se acham, que não estudaram tudo bem, eu respeito não fico atacando quem quer que seja, cada profissional é dono de seu nariz, seja homem e trata o seu semelhante com respeito e será respeitado, o CREA orienta e cumpra, se não feche tua empresa, ora”

  11. juliana costa says:

    muito lindo o texto.

  12. LUIZ SERGIO says:

    Repassando…

    Por que nãos somos todos engenheiros civis então?

    O Banco Mundial foi criado para ajudar os países a se recuperarem após a Segunda Guerra. Ao longo do tempo ele se converteu em um banco para financiamento de projetos de desenvolvimento em países mais pobres. Esta instituição tem suas regras para emprestar esse dinheiro, avaliando se o país que recebe esse financiamento será capaz de honrar com suas dívidas. Nada muito diferente que mostrar seu contra-cheque quando se quer financiar um carro. Pois bem, o Brasil pegou dinheiro emprestado com o Banco Mundial e portanto, tem metas a cumprir. Inclusive para poder pegar mais dinheiro.
    O Banco Mundial e a UNESCO( Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) fazem parte da ONU. Por outro lado, a UNESCO trabalha em parceira com a OCDE( Organização para Cooperação Desenvolvimento Econômico). Vale chamar a atenção que não estou visualizando e nem pretendendo criar nenhuma teoria da conspiração aqui. Só estou me baseando no fato da cadeia de interesses que movem o mundo e vendo uma linha de interesses coerente e que justifica a situação atual do mercado. O secretário de transportes nem faz ideia do que é UNESCO. Mas vai fazer as estradas quando souber que tem mais engenheiros civis no mercado. O ministro da educação nem sabe quem é esse secretário, mas facilitou a vida dele abrindo vagas na engenharia porque acatou à exigência do presidente, que foi aconselhado pelo ministro das relações exteriores. Que por sua vez analisou a ideia com o ministro da fazenda que queria mais dinheiro. No final da história o mercado fica bom para este ramo da engenharia. Enfim… é uma cadeia grande e complexa, mas que possibilita um país ir para frente, não conseguir sair do lugar e até ir para trás.

    A OCDE é uma reunião de 34 países, sendo que 31 deles são desenvolvidos e produzem juntos mais que 50% da riqueza do mundo. A ideia é basicamente a seguinte: Sendo eles desenvolvidos, eles se reúnem e aconselham os sub-desenvolvidos a escolherem as políticas corretas para se desenvolverem. Eles fazem relatórios sobre estes países, análises, dão conselhos e etc. Aqui no Brasil, esses dados relativos à formação de engenheiros, para análise, são fornecidos pelo INEP( Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais). De fato, é necessário que os países tenham como gerar riquezas para pagarem a dívida contraída. A ideia é bem legal, independente da onipresente dúvida se eles realmente querem dividir esses 50% da produção de riqueza mundial com todos os homo sapiens vivos, ou se querem ensinar apenas o mínimo necessário, ou ainda se é interessante uma dívida eterna que possa ser usada para dissuasão econômica, que sempre vai ser questionada por alguém. Mas sempre vai ter cético, sempre vai ter crente, vamos continuar no foco da engenharia. O que quero chamar a atenção é a um trecho de um documento da OCDE:
    “The imperative for countries is to raise higher-level employment skills, to sustain a globally competitive research base and to improve knowledge dissemination to the benefit of society” (OCDE, 2008a, p. 4).
    Em livre tradução:
    “O necessário aos países é aumentar a qualificação profissional de nível superior, para sustentar uma base de pesquisa globalmente competitiva e melhorar a disseminação do conhecimento em benefício da sociedade“
    E qualificação profissional de nível superior significa tecnologia, que diferente daqui do nosso país, lá fora está muito presente na engenharia civil também. Por exemplo, cada vez mais se usa estruturas prontas em vez colocar tijolo por tijolo, com cimento e areia. Prédios que aqui se levanta em 1 ano e meio, lá fora ficam prontos em 1 mês. Mas além da civil, existem outras engenharias importantíssimas como indicativos de alta qualificação tecnológica, não por acaso são a computação, eletrônica, química, automação, nanotecnologia, nuclear, biotecnologia e etc. Portanto, a OCDE sabe que um país só com engenheiros civis não é indicativo de evolução tecnológica.
    Ou seja, o governo está fazendo sua parte. Se eles querem número de profissionais qualificados para nos dar empréstimos, nossos políticos estão gerando esses números. Pouco importa se estes profissionais estarão empregados ou não. Nossas digníssimas excelências estão lotando os cursos de engenharia, arrecadando mais dinheiro, mas mantendo o mesmo custo( número de professores e infra-estrutura). Vez ou outra pinta uma greve nas universidades federais, mas é detalhe. Professores em salas superlotadas estão reclamando de barriga cheia, é claro. Assim, a oferta nas universidades- e o marketing midiático para preencherem essas vagas – não segue a lógica de necessidade do mercado. Ela segue outra prioridade, que não é a razão; imagino que a essa altura do campeonato você já deve saber qual é. Se não, volta lá no início do texto. De qualquer forma…
    “O Brasil precisa de engenheiros.. em todas as áreas! Engenharia química, de produção, elétrica, mecânica, automação, têxtil, de alimentos, metalúrgica e etc… Vagas a partir de R$ 18.000,00!”
    Luciano Netto de Lima

  13. Nathália says:

    Concordo com o texto…

  14. Pingback: Por que a engenharia no Brasil é assim? - GuiaTECH

  15. Carlos Antonio says:

    A engenharia no Brasil infelizmente é uma farsa. Aqui a engenharia não cria tecnologias e pouca inovação é feita. Os melhores engenheiros são pagos pra supervisionar materiais, mão de obra, contratos, e demais atividades que um administrador faria com maior qualidade. E os demais engenheiros passam o tempo preenchendo planilhas, cadastrando produtos no SAP, elaborando documentos da qualidade, etc. Desafortunadamente nos contentamos em reproduzir os projetos vindos de fora e implantar sistemas de qualidade como o da Toyota. Por aqui chamamos isso de Engenharia.

  16. Barj Yod says:

    Concordo plenamente com a objetiva manifestação do Carlos Antonio, como também com as referências à postagem que gerou os comentários.
    No entanto, as circunstâncias e condições citadas no texto não são causas, e sim efeitos terciários de uma causa perpetuamente recorrente, que é um paradoxo, quando ocorrem os “espasmos” de crescimento em decênios – invariavelmente – intercalados por “crises”.
    Como a testificação do que afirmo é muito extensa, creio ser válida a sugestão de vistas às publicações no Linkedin (pulse). Onde a situação da engenharia, no Brasil, já foi amplamente debatida.

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