Entendendo as cotas com física básica

 

        Recentemente em um debate de facebook, escrevi um  comentário/texto explicando como eu entendia as cotas para um público que, em sua maioria, eram estudantes de exatas. Há um tempo, durante a leitura de um texto muito interessante sobre cotas do William Douglas[1], fui montando sem querer uma analogia baseada em física. Nessa discussão, acabei usando a tal analogia e vi que ficava boa para explicar para outras pessoas. Dessa forma, melhorei e organizei a ideia para explicar para o pessoal das exatas( e também para quem não é da área) como eu julgo o sistemas de cotas. Como está na descrição do blog, eu sou um cara com mente “exata” tentando entender assuntos não tão exatos assim. Não tenho nenhum apego à vaidade para manter minhas visões de mundo e nem tenho problema algum em trocar de opinião se alguém me fornecer argumentos que eu julgue mais sólidos que o meu. Portanto, se você não concorda comigo, por favor, me faça enxergar da sua forma expondo seus pensamentos nos comentários abaixo. Ahhh claro… se é que isso faça alguma diferença, não sou negro.

 

        Antes de começar eu vou apresentar o conceito de generalização. Este é um conceito muito importante para entender certas coisas. O nome técnico disso, se quiséssemos ver aos olhos da matemática, seria distribuição gaussiana.  Imagina que estamos mapeando a altura das pessoas aqui no Brasil. Nesse gráfico abaixo, no eixo horizontal( das abcissas se preferir), você pode ver as alturas das pessoas crescendo da esquerda para a direita. No eixo vertical, vemos a porcentagem de pessoas que possuem aquela altua. Na linha pontilhada ao centro do gráfico vemos que aprox. 11% da população tem 1,65 de altura.

 

 

        Você consegue perceber que o gráfico faz um desenho como se fosse um quebra-molas, ou lombada, conforme seja chamado na sua região? Esse desenho é percebido na maioria dos casos, pois em geral, a maior quantidade de observações se situa no meio do gráfico. Funciona assim com a altura das pessoas, com os números de sapato, com a velocidade dos carros na rua,  com a temperatura que as pessoas julgam ideal no ar condicionado e etc…  Por conta disso, se formos projetar o espaço interno de um carro, vamos considerar qual tamanho para usar como padrão nos bancos? Você concorda comigo que seria o tamanho médio, o tamanho da maioria das pessoas? Obviamente, haverá alguém que é menor que o espaço do projeto, e alguém que é mais alto e poderá ficar desconfortável. Mas se é necessário projetar um banco genérico usa-se a característica da maioria das pessoas como parâmetro. O nome disso é generalização. Por isso, as políticas, as considerações para estimativas socias e etc. são baseadas na maioria dos casos. Não vale trazermos para uma discussão de qual carro corre mais o caso de um fusca turbinado que corria mais que um carro de fórmula 1 batido e com isso defender que os fuscas correm mais que carros de fórmula 1. Casos isolados não servem como exemplo geral, lembre bem disso.

 

Todos nascem iguais…

    
         Primeiro de tudo, vamos montar o cenário incial do nosso problema, pois é assim que começa toda questão física. Os corpos são esferas, não há atrito, o fio é inextensível e etc. Como nessa discussão estamos dissertando sobre cotas para negros no Brasil vamos considerar que no início, em 1500, existiam apenas brancos e negros. Nesta situação, todos nascem iguais, com os mesmos direitos, mesmos deveres, assim como teoricamente funciona hoje. Você pode nascer pobre batalhar e morrer rico e pode nascer rico falir e morrer pobre. Muitos diriam que essa é a sociedade atual, hoje em 2015. Seria sim… se não houvesse um fator importantíssimo que afeta tudo isso…

 

Hereditariedade

 

   
         Nossa própria lei garante que o filho herda os bens dos pais. Portanto, por mais que seja possível o Sílvio Santos nascer pobre e ficar riquíssimo como fruto do trabalho, é incomparavelmente mais fácil para o filho de uma família rica desfrutar das oportunidades trazidas pelo dinheiro do que foi para o homem do baú. Ainda que nossa lei não permitisse hereditariedade, só o fato de viver em uma família que possui grana facilita bastante o preparo da criança para conseguir uma posição que a faça manter e aumentar sua riqueza. Não estou especulando filosoficamente aqui, estamos falando dos cursos de inglês, francês, das viagens para fora, do intercâmbio, dos professores particulares, coisas bem óbvias. Tem também as coisas mais sutis e nem por isso menos consideráveis: ter um pai que lhe explique como funciona o vestibular, como a carreira dele o fez ter a boa condição que ele lhe fornece, fale da importância de falar 1 ou 2 idiomas e etc. O garoto que está vendendo bala no sinal não sabe o que é um vestibular, não sabe o que um administrador ou economista faz. As profissões que ele conhece são engraxate, professor, empregada, policial e no máximo assistente social. Novamente, não são devaneios utópicos aqui. Você sabe o que é um analista de compliance? E um engenheiro de lançamento de linha? Não, não é? É porque isso está fora do teu contexto. A diferença é que o contexto do garoto da bala é bem mais restrito que o meu, que o seu. Portanto, esse garoto nem sabe o que são cotas, na verdade ele não sabe o que é vestibular, ele te assalta na porta da UERJ mas só sabe que o pessoal estuda alguma coisa lá dentro. Ainda temos aquele problema do silêncio na biblioteca. Tirando um ou outro que estuda com fones de ouvido, em geral o silêncio é necessário para a concentração, ter as horas de estudo interrompida vez ou outra por tiroteios não ajuda muito. Ainda que não haja tiroteio, mas morar em um cômodo só, tentando estudar enquanto sua mãe assiste TV, seu irmão chora e o vizinho do lado ouve rádio alto geralmente não facilita a absorção da matéria. Por outro lado, ter seu próprio quarto, seus professores particulares, livros novos me faz suspeitar que torne o aprendizado mas efetivo.

 

         Então, voltando à física… Se teoricamente no t=0( ano 1500), no início, todo mundo nasce igual, sem ter nada. Existe hereditariedade, ou seja, é muuuuuuuito mais fácil ter grana se ela vem do seu pai. Então, pega determinado grupo com mais melanina na pele, escraviza por quase 400 anos a partir do t=0. Passado esse tempo fala assim: “Agora vocês estão livres! Abraço meu querido. É todo mundo igual”. Se não houvesse hereditariedade estaria tranquilo. E ela não diz apenas que você terá grana, mas vai ter estudo, vai ter informação. Enfim… se não fosse esse fator, o problema estaria resolvido. Mas como ele existe, o mundo acaba não sendo tão simples como “todos nascem iguais a partir de agora”. Caso ainda haja alguma dúvida sobre a igualdade nos nascimentos, de forma no mínimo irônica, lhe proponho que explique isso para os pais da criança que morreu por atraso no atendimento na UPA e também para aqueles cujo filho nasceu no Barra D’or.

         Trocando em miúdos de forma Newtoniana… Você consegue entender que se no t=0 tem dois carrinhos no s=0( na posição do início da corrida). Então você segura um carro por 400 segundos e deixa o outro andando em velocidade constante. Depois desses 400 segundos você solta o carrinho que tava parado na mesma velocidade que o outro. Você acha mesmo que em algum momento esses carrinhos vão estar lado a lado? Se você acha… proponho que feche essa página e abra um livro de física. Uma forma de resolver isso é acelerar um pouco o carrinho retardatário por um tempo e então desacelerar quando ele se aproximar do outro. O nome da aceleração, caro leitor, é cotas.

 

imagem
    
“Mas as cotas são paleativo.. porque tem que consertar a educação de base!”

 

        Uma vez vi um texto que dizia que um dos principais problemas dos brasileiros é nunca resolver um problema porque sempre tem outro que se julga mais importante[2]. E de fato é isso aí…. Vamos ser realistas, NÃO IRÃO CONSERTAR a educação de base. Ponto. Você conhece tanto os políticos daqui quanto eu. Do jeito que anda, a coisa não será consertada. Portanto, ou faz cotas ou não faz nada. Condicionar a cota( que é uma política palpável, tangível, acessível) à realização de uma reforma sueca na educação brasileira( que é, pelo menos agora, impossível) é ingenuidade, quando não é falta de visão ou no pior dos casos, estratégia de anulação. Enfim, ou você dá as cotas para “reparar” a discrepância cronológica da galera… ou exige que cada negro brasileiro seja um Silvio Santos, porque teoricamente o mundo é justo e hereditariedade é um conceito que se resume exclusivamente à genética.

Agora eu te pergunto: Você é o melhor em tudo que você pode ser hoje? Você se esforçou pegando livros no lixo e estudando nos bancos de praça? Não? Então porque o garoto de rua tem que fazer isso para chegar no mesmo lugar que você está?

        Por isso, não vale usar o caso do zezinho que lutou muito e venceu na vida. Obviamente não tem como atingir uma igualdade absoluta, nem numa tribo é assim. Mas não é por isso que vamos cruzar os braços e deixar por isso mesmo quando existe uma desigualdade tão óbvia na nossa frente. O conceito de igualdade é complicado, confesso que não sei muito bem como definir. Mas vamos pensar o seguinte: Se igualdade é fornecer exatamente a mesma coisa para todo mundo, eu posso fornecer escadas na entrada de um prédio para cadeirantes porque colocar rampas é tratá-los diferente? De fato ele não tem necessidades diferentes? Como o William Douglas disse no seu texto, as cotas raciais não seriam como cotas para deficientes econômicos?

“E por que as cotas são para os negros e não para os pobres? Pois existem vários brancos pobres também!” O nome disso é cotas para estudantes de escolas públicas. Em geral, assume-se que se não houve como o estudante arcar os custos de uma educação particular, ele se encaixa na classe de pobre. “Isso é assumir a falência da educação pública de nível fundamental e médio!” É sim… eu também enxergo assim. Mas novamente, se condicionar cotas à reorganização da educação nacional, não haverá nada.

 Mas se na Constituição todo mundo é igual, por que os negros tem essas vantagens?
   
        O problema é que a Constituição de hoje foi feita em 1988, mas a sociedade ainda tem reflexos da escravidão que acabou em 1888. Nós que gostamos de números…. um século não foi suficiente para suprimir a cultura, piadas, apelidos, olhar feio e etc…  Sociologia não é ciência exata, portanto, não é recomendado olhar as coisas como equação. Existem nuances e detalhes que não são óbvios como uma linha de código. A partir do momento que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea o mundo não passou magicamente a olhar os negros de igual para igual. Tanto é que até hoje você encontra pessoas preconceituosas por aí. Se o resultado do preconceito fosse só desconforto, ainda que errado, seria de certa forma( estou falando isso com muito cuidado…) relevável. O problema é que a falta de oportunidades pode expor à criminalidade, por exemplo. Quando essa falta de oportunidades atinge especificamente uma parcela limitada da população, por questões históricas, há um grave problema aí. Se tem gente que até hoje acredita que comer manga com leite mata, história que tem origem na época da escravidão, porque não teria quem ainda acredita em preconceito?

 

Mas as cotas vão oferecer vantagens injustas para os negros no futuro!
    
         Por isso que as cotas devem ser temporárias. Quando os cotistas de agora conseguirem se estabelecer num emprego bom, botarem as crianças nas escolas particulares, corta-se o cordão umbilical. Assim eu penso, o que os políticos pensam eu não sei. Mas ainda que eles pensem diferente, é só trocar os políticos depois. O ganho que as cotas trazem é muito mais importante do que um medo baseado na previsão de uma década à frente. Não vejo como esse medo se posicionar como prioridade nesse contexto. Portanto, a ideia é fazer o carrinho que estava parado alcançar o outro e deixá-los andando lado a lado, lembra? A física explica.

 

 

 

Luciano Netto de Lima
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6 Responses to Entendendo as cotas com física básica

  1. Roberto Carlos Teixeira says:

    Luciano, vou ter de discordar em parte concordando. E olhe que apesar da tez branca, tenho antepassados (tataravó, na 5ª geração, para ser mais preciso) pardos. E minha companheira é afrodescendente (apesar dela achar esse termo pernóstico, esnobe, ok?)… E ela própria é contra as cotas.

    Não, isso não se trata de preconceito às avessas e nem de incoerência ou pensamentos reformistas a moda sueca… Não sou chegado a hipocrisias de nenhum dos lados. E assumo que o meu raciocínio é liberal de direita. Tenho verdadeira aversão à comunismo, socialismo, nazismo, fascismo, anarquismo e todos os ismos de esquerda. Ponto!

    Entendendo que você quis fazer uma proposição de raciocínio científico sobre a questão, convido-o a ver esse vídeo aqui: https://www.facebook.com/institutoliberaldesaopaulo/videos/1870914753134002/?pnref=story.

    Espero que após ter visto esse vídeo, você possa entender o meu senão quanto à questão de cotas: porque (1) as cotas não passam de proselitismo político, (2) propaganda divisionista, (3) propaganda racista afronazista, (4) discurso de esquerda. Pelo menos é como eu encaro a questão. E me explico.

    Havia um propósito por trás do processo de liberação dos escravos no Brasil na época do Império. Um propósito que envolvia a manutenção de um governo que visava construir uma identidade para o país. Um projeto de longo prazo que foi abortado antes de desabrochar por conta de (mais uma vez, lógico!) um grupo de oportunistas. Na ocasião do Império, vivíamos o esplendor de um governo progressista (isso é fato historicamente registrado!) que estava promovendo gradualmente desenvolvimentos no país.

    Fomos o primeiro país na América Latina a ter saneamento básico; fomos o primeiro país a ter universidades, Banco Central cunhando sua própria moeda. Fomos o primeiro país a construir ferrovias, a ter iluminação pública, primeiro à gás de carvão (gás de coque) e querosene, depois a gás natural, e por fim a energia elétrica alimentada por geradores a óleo. Fomos pioneiros em todo o mundo, o primeiro país a comprar uma invenção recém patenteada nos Estados Unidos: sim o Brasil foi o primeiro país a ter telefonia no mundo e um dos primeiros a ter telegrafia na América Latina.

    Na política de então, o governo apesar de monárquico, era semi-absolutista e parlamentarista. E pasmem, fomos o primeiro país das Américas, mesmo antes dos Estados Unidos, a ter uma mulher no parlamento. Independente desse direito ser concedido por berço, já que ela era a princesa regente, mas D. Isabel, a Redentora, era Senadora Vitalícia, membro do Congresso Nacional e grande ativista da Abolição. E ela seguia igual orientação de seu próprio pai. A intenção de ambos era de tornar os negros não apenas livres, mas em real pé de igualdade com todos no país. A intenção deles era progressista. Mas isso não se conta hoje nos livros de história. Porque a hoje a história é trabalhada para desconstruir os valores e pilares nos quais nossa nação deveria estar balizada. Inclusive na verdadeira igualdade de direitos, com igual distribuição de deveres e oportunidades.

    É mais do que evidente e eu concordo matematica e empiricamente com suas conjecturas e colocações. Só discordo da eficácia do sistema de cotas e da honestidade de que o mesmo tenha duração provisória. Sou mais afeito a ações efetivas e não a palavras.

    E dentro desse contexto, enquanto os professores públicos deste país forem meros doutrinadores à serviço da esquerda, trabalhando por esse desconstrucionismo nacionalista comunista, eu só vejo mais e mais jovens sendo doutrinados a serem como os gafanhotos do filme “Vida de Inseto”… E eu continuarei sendo como aquela formiga engenhosa tanto desse filme mesmo quanto a outra do filme “Formiguinhaz”… Sempre contestando esse ou o outro “status quo” que nos aprisiona por medo de encararmos a nossa própria capacidade de revolucionar o que está ao nosso redor e tornar a utopia uma realidade.

    E isso sói vai acontecer quando a gente der aos ladrões, aos desonestos e aos corruptos o mesmo tratamento: a exclusão, o exílio ou a extinção. Porque em ambas as 3 opções nós eliminamos o problema de uma vez por todas e sempre.

    Perdoe-me pelo radicalismo, mas não quero transformar nossos irmãos da “raça negra” em pobre coitados dependentes de cotas… Quero sim que eles sejam respeitados como nós e tratados como membros de uma única raça: a RAÇA HUMANA. E com reais oportunidades sociais, culturais, financeiras e livres para serem qualquer coisa, menos marginalizados. Como todos nós devemos ser.

    A vós concedo essa reflexão! Paz Profunda!

    • Fernando Cardoso says:

      Racismo é toda divisão baseada no fenótipo de uma raça onde uns estão em desvantagem em relação ao outro.
      1) Vc acredita que o Brasil é um país racista?!
      Se a resposta for “Não”, faça o teste do pescoço e tente responder novamente
      2) Vc acredita que os negros no Brasil estão em condições de igualdade no acesa a educação e cultura no Brasil?!
      Se a resposta do sim vc não entendeu o que é racismo.
      3) Você acha razoável que pessoas que tiveram condições muito discrepantes sejam tratados de maneira igual no acesso as melhores oportunidades?!!

      PS: Nós tentamos combater o racismo pelo seu método (sem cotas) durante mais de 100 anos e não houve progresso…

  2. Roberto Carlos Teixeira says:

    Prezado Fernando, com a licença da palavra, mas o seu discurso é nitidamente esquerdista e eu não vou enaltecer o mesmo com discussão inútil.

    As respostas, conforme o meu critério pessoal e eu não sou dono de nenhuma verdade tida como absoluta (e na verdade, ninguém o é!) para as suas perguntas são respectivamente (1) não, mas nosso povo é preconceituoso por excelência – preconceito e racismo são coisas distintas veja o Aurélio por favor! (2) Sim, conforme a lei e não por conta do preconceito generalizado, que é fruto da ignorância em todo o território nacional – e caso o senhor não tenha se dado conta, sou descendente de índios e mulatos, apesar da tez branca de minha pele, como pode ser visto no meu avatar, portanto sei muito bem o que é preconceito (independente de qual seja). Para citar mais claramente, minha futura esposa é afrodescendente, odeia esse discurso vitimista e para o seu governo, a mãe dela desaprova o meu relacionamento com ela por eu ser “branco”. Mas se o filhinho dela quiser pegar quantas loiras ele queira ela não é contra. Isso não é preconceito, ou como o senhor define, racismo? Pense só um pouco ok? (3) Igualdade de condições de tratamento e igualdade de condições de confrontamento de conhecimentos são duas coisas distintas: dar supostos privilégios como cotas a determinado grupo de cidadãos como forma de compensação para franquear aos mesmos condições iguais de acesso não garantem que haverá condições iguais de confrontamento de valores. E o senhor não está levando em conta que existem diversos cidadãos beneficiados por essas cotas que não precisam delas sob o ponto de vista sócio-econômico: podem não ser maioria, mas existem!

    O Brasil é um país composto por uma mescla de etnias de forma que o nosso próprio povo constitui uma etnia à parte se me permite a abordagem científica. O que torna o discurso do senhor sobre racismo uma incoerência contextual. E combater o que o senhor classifica como racismo com uma postura secessionista é uma das piores demonstrações de preconceito. Não acredito que o nosso povo seja racista. Mas que o mesmo é preconceituoso e que fomenta a divisão de classes ou de castas, disso eu não tenho a menor dúvida. O próprio raciocínio demonstrado pelo senhor ao tentar me montar essa arapuca filosófica prova isso. Só é preconceito se for de “branco para negro” no sentido oposto isso não existe? Reveja os seus conceitos antes de me propor essa chalaça.

    Ao amigo Luciano peço as minhas desculpas se eu tiver levantado alguma polêmica, pois não foi essa a intenção. E finalizando com o Fernando, informo que a “solução” não é minha. E se eu implementase alguma solução “minha” esta não ia ser alguma fórmula mirabolante que dependesse das usuais negociações com grupos de interesse específicos. Porque é exatamente isso que geram as desigualdades: criar dificuldades para se vender “facilidades”. E tenho dito.

    P.S.: Se quiser se tornar um articulista em um blog, sugiro que deixe de lado esse “português” de redes sociais, leia um pouco mais e exercite os vernáculos da nossa língua máter de forma adequada antes de me propor desafios filosóficos. Um bom exercício do próprio idioma é a melhor prova de que termos condições intelectuais de propor um bom debate de ideias. O seu linguajar pobre me lembra muito essa turma de Orkut e Facebook que se mete a debater apenas para chamar a atenção e criar polêmicas. Pura birra de criança.

  3. Aldair E. F. Jr says:

    Muito bom o artigo. Valeu Luciano e William Douglas. Mais claro não podia ser. Apoiado.

    Cordiais saudações.

  4. atorres1985 says:

    Vou discordar.

    Apenas como constatação histórica, Princesa Isabel bem que tentou, mas não deixaram. Ela quis pagar uma indenização aos escravos recém-libertos, mas a República recém-nascida impediu. Mas enfim.

    A hereditariedade não garante tanta coisa. De fato eu desconfio que o valor dela é bastante baixo na manutenção de uma fortuna. Por exemplo, a lista dos dez mais da Forbes muda constantemente, algo que não aconteceria se sua teoria da hereditariedade fosse tão determinante. Muitos dos magnatas do petróleo que figuraram na amargam atualmente o ostracismo, enquanto muitos desconhecidos que vieram de quartinho de faculdade ou de fundo de garagem estão aí, com suas Apples e Facebooks e Googles.

    Vamos complicar o seu exemplo dos carrinhos. A cota, dependendo de como você proponha, pode ser ou colocar mais gasolina no tanque do carro menos favorecido, ou jogar o carro menos favorecido à frente. Só que não sabemos de antemão qual a composição dos carros. Se o carro menos favorecido for um beberrão, uma hora ele vai acabar sem combustível e o carro equipado vai ultrapassá-lo.
    Chega a ser engraçado quando você sugere “acelerar” o carro menor. Até quando vai essa aceleração? Quanta energia tem que ser gasta nesse carro? Se formos ver pelo hardware, provavelmente este gasto será eterno, já que o carro maior uma hora terá vantagem assim que acabar a força aceleradora.
    Mas essa energia não é infinita, e tem que vir de algum lugar. E aí? A analogia ainda serve?
    Então, de forma automobilística, não basta dar vantagens ao carro se o hardware dele é defeituoso.

    De uma forma ou outra a analogia é ruim. Tem seus méritos, mas falha por ser reducionista.

    Quanto a consertar a educação de base: que tal destruir totalmente a tal da educação de base? Ela só serve para formatar as pessoas, e não para formá-las.

  5. Roberto Carlos Mayrink Teixeira says:

    Atorres, tenho um adendo a fazer. Lendo recentemente um texto do Leandro Narloch me interei de que na verdade o fim da escravidão foi uma imposição inglesa, que estava entrando francamente na Era da Revolução Industrial e não iria admitir a expansão ou continuidade da vantagem notória de se manter indefinidamente o negócio de escravos e o uso de mão-de-obra farta a “custo zero” para fazerem frente ao seu progresso à vapor. E o Brasil nesse caso foi um dos últimos países no mundo (ocidental) a adotarem isso. Ainda que fosse (e era!) interesse da coroa extinguir a escravidão (tanto que um dos processos que levaram à Abolição foi exatamente a concessão de cartas de alforria aos negros que se voluntariassem a atuar nas guerras do período como a da Tríplice Aliança, Revolução Farroupilha,etc…)

    E isso acabou por criar o fenômeno que hoje explica tanta miséria e violência em nossa sociedade! Mas deixe me colocar um ponto: explica, não justifica! Com o retorno dos soldados negros alforriados após terem participado como “voluntários” nesses conflitos, eles se estabeleceram em áreas concedidas pelo Império nas localidades que mais tarde vieram a ser conhecidas como “favelas”. Na verdade, o termo vem dessa época, e tem relação com o topo de certas formações geológicas de morros, e foram exatamente em locais como esses que surgiram essas primeiras comunidades.

    A desigualdade sócio-econômica não é um fenômeno cultural exclusivo do Brasil; nós apenas nos especializamos no uso desse fenômeno como moeda de barganha politica e econômica.

    Enquanto não se mudar a mentalidade do Brasileiro, mudando e melhorando os seus valores, acima de óticas populistas e com um uma educação de fato, que não envolva doutrinamento ideológico e divisionismo de castas (ideologia de gênero, de sexismo, de racismo e cotas, etc…) e muito menos o mimimi idiotizante da “Pedagogia do Oprimido” do Paulo Freire.

    Aliás, mesmo que isso soe como uma “caça às bruxas” do período da Inquisição, não me sentiria nenhum pouco mal se apagassem o nome desse infeliz alçado imerecidamente ao posto de “herói da educação nacional” e se queimasse sem dó todo e qualquer livro ou artigo proposto pelo mesmo em praça pública. Todos os exemplares. Sem dó! Seria uma fogueirinha e tanto!

    E tenho dito! Precisamos mudar muita coisa primeiro na cabeça do povo brasileiro. A começar por essa necessidade doentia de se encostar no governo. Eles adoram isso! Fomenta o populismo que eles tanto usam para manobrar esse “povo gado”!

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